Joshua Stevens: da Califórnia ao Brasil: um giro pelo mundo embalado no aroma do café
Por: Redação Hotelaria - 02/12/2019

 

Joshua Stevens é um empreendedor nato. Proveniente de uma família de imigrantes italianos que sempre empreendeu no ramo da gastronomia, e natural de Santa Barbara, na Califórnia (EUA), passou cinco anos da sua adolescência na Itália, onde teve seus primeiros contatos com o mundo do café. De volta aos Estados Unidos, conheceu os grãos brasileiros que eram fornecidos para o supermercado gourmet do qual gerenciava a cafeteria.

“Foi nessa época que conheci minha esposa Luciana, mineira que estudava na Califórnia. Decidimos morar no Brasil, mais especificamente em Florianópolis, onde surgiu o Café Cultura cuja primeira loja fica situada na Lagoa da Conceição, em Florianópolis”, conta o empresário que é o mestre de torra dos grãos da casa e responsável pelo controle de qualidade da bebida mais consumida no mundo, depois da água.

O executivo nos ensina que o café tem vários aspectos interessantes, desde a semente na fazenda, até ser extraído na xícara e faz parte da história do Brasil. A fazenda que fornece os nossos grãos, por exemplo, é de 1896 e tem pés de café arábica de mais de 50 anos. “Nesse processo temos muitas etapas importantes, que são fundamentais para a entrega de um produto de qualidade. O café especial é uma bebida complexa, delicada, prazerosa de se envolver. Perceber a satisfação do cliente quando degusta uma de nossas bebidas é o que me motiva a continuar”.

Ciente e orgulhoso de seu sucesso profissional ele aponta suas principais características que levaram a esse resultado: “paixão por atender ao cliente, deixá-lo feliz, foi sempre a filosofia do nosso negócio. A procura por fornecedores de qualidade foi fundamental para o sucesso do Café Cultura, que iniciou em 2004. Sabíamos que o Brasil tinha bons cafés, só precisávamos encontrá-los. Luciana, como boa mineira, foi importante na ajuda para encontrar os melhores grãos”, afirma. Ele também salienta que suas experiências no mundo do food service, com o conhecimento de sua esposa sobre os costumes brasileiros, permitiram criar um lugar cosmopolita, mas com gosto brasileiro. “É um lugar para experiências”, afirma.

Ele conta ainda que, na sua função atual como mestre de torras, sempre foi preocupado com o paradoxo crescimento x qualidade. “Por isso, em 2009 decidi passar a torrar meu próprio café, para que me desse mais controle na qualidade do produto. Isso acredito que foi o aspecto principal para o meu sucesso”, pondera.

Nessa sua história movimentada, Stevens observa que a vida sempre nos impõe desafios, e que precisamos sempre procurar a solução. “O segundo Café Cultura, que era no Centro de Florianópolis, ficava num casarão histórico. Não tínhamos feito um estudo de mercado antes de abrí-lo. O lugar era muito grande, o público não era do nosso perfil - de ficar em um lugar e relaxar. No Centro, as pessoas têm pressa. Com isso, aprendemos que precisamos estudar o mercado a fundo antes de abrir um novo negócio. Essa loja nos mostrou isso. O lucro não era o que esperávamos e tivemos que fechá-la. Esse "fracasso" serviu como aprendizado para a abertura das outras lojas. Hoje somos mais cautelosos”, ensina.

O executivo explica que 90% do do seu conhecimento sobre café aprendeu no Brasil. “O brasileiro é abençoado por ser o maior produtor de café do mundo. Muitos tiveram a oportunidade de crescer nessas fazendas. A possibilidade de conhecer produtores, ir a feiras, trocar experiências com outros profissionais da minha área me possibilitou entender como funciona toda a cadeia”, explica.

Ele também ressalta que em qualquer lugar, o trabalho do produtor de café é duro. O preço do café oscila muito, as mudanças climáticas afetam a produção. Não é uma atividade fácil. “ O brasileiro tem benefícios de estar num país com mais tecnologia na plantação e colheita de café. Somos extremamente eficientes. Hoje, muitos fazendeiros têm trocado a colheita manual pela mecanizada, mas mesmo assim entregando um café com amor”, afirma.

Entre suas experiências marcantes ele relembra uma especial: “Quando eu comecei a torrar café, em 2009, na época não havia muita informação sobre o processo. Eu tentava e errava muito, até achar o perfil que os nossos clientes apreciavam. Foi muito difícil, perdi muito café”, relembra. Por isso mesmo, ele orienta os iniciantes: “Ler, ler e ler. Nunca pare de aprender. O mundo do café sempre tem novidades e muito é profundo, desde a plantação até a extração. Hoje, existem muitos cursos, livros e informações que ajudam qualquer apaixonado a aprender mais sobre a área. Mas, o dia a dia para praticar é fundamental para criar um especialista de café”, finaliza.

 

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